Celso dos Santos Vasconcellos, Doutor em Didática pela USP. Mestre em História da Filosofia da Educação pela PUC/SP. Pedagogo, Filósofo, Pesquisador e autor de várias obras.
Publicado em 2004, fragmentos do texto, em PLANEJAMENTO: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico, Celso Vasconcellos descreve que o ato de planejar faz parte da história do ser humano. Em nosso dia-a-dia, sempre deparamos com situações que necessitam de planejamento, mas nem sempre nossas atividades diárias são delineadas em etapas concretas da ação (Maria Adélia Teixeira Baff)
RESENHA CRÍTICA – DESCRENÇA NO PLANEJAMENTO DE ENSINO:
PLANEJAMENTO EM QUESTÃO
>O papel da reflexão diante das dificuldades da educação escolar:
Vasconcellos, nos fragmentos sobre Planejamento de Ensino, discorre sobre o Papel da Reflexão como mediação no processo de transformação; Falta de sentido do planejamento e por último, enfoca a Análise do problema da falta de credibilidade do planejamento. A reflexão encontra-se no campo da subjetividade, sendo que os obstáculos para a mudança estão tanto no campo subjetivo como no objetivo, enquanto tal, não pode interferir na realidade, nas condições objetivas; os sujeitos é que podem agir – direta ou indiretamente sobre a realidade. A reflexão tem por função despertar o sujeito, além de capacitá-lo para caminhar. Neste sentido, a reflexão implica na articulação de duas dimensões: O Convencimento para reconstruir o sujeito mediador, despertando o desejo para a consciência se integrar, se motivar para a ação. A Intervenção para construir caminho viável de mediação, projetar objetivos para a ação.
>A Falta de Sentido do Planejamento:
O que dizem os professores: Não é possível planejar; do jeito que o planejamento vem sendo feito não funciona; não é necessário planejar. Como entender a descrença do educador em relação ao planejamento? Na história do pensamento humano, a reflexão do homem orbitou em torno de duas grandes correntes: A Metafísica - Parmênides – defendia a estabilidade das coisas, não admitindo as contradições, para ele, a essência profunda do ser era imutável e o movimento (mudança) era um fenômeno de superfície. A Dialética – Heráclito – admitia o movimento, no qual tudo estava num constante vir-a-ser. A linha de pensamento, metafísica, prevaleceu sobre a dialética de Heráclito. Uma das mais fortes vertentes do pensamento até hoje presente no nosso meio, corrente platônica, é o idealismo metafísico.
>Processo de alienação do professor:
O educador como cidadão está inserido num contexto mais amplo de sociedade, sendo portanto atingido pela alienação imposta devida a toda forma de organização social. Enquanto profissional, participa da alienação mediatizada no conjunto de seu trabalho. A situação de alienação se caracteriza pela falta de compreensão e domínio nos vários aspectos da tarefa educativa: ao educador falta clareza com relação à realidade em que ele vive, não dominando, por exemplo, como os fatos e fenômenos chegaram ao ponto em que estão hoje (dimensão sociológica, histórico-processual; falta clareza quanto à finalidade daquilo que ele faz: educação para quê, em favor de quem, contra quem, que tipo de homem e de sociedade formar,etc.(dimensão política, filosófica) e, finalmente, falta clareza quanto à sua ação em sala de aula (dimensão pedagógica). Efetivamente, faltando uma visão de realidade e de finalidade, fica difícil para o educador operacionalizar alguma prática transformadora, já que não sabe onde está, nem para onde quer ir.
>(Des)caminhos do Planejamento :
Breve retrospectiva histórica – a atividade de planejar é tão antiga quanto o homem, mas a sistematização do planejamento ocorreu fora do campo educacional, ligada ao mundo da produção e à emergência da ciência da administração (final do séc.XIX). Ao tratar de planejamento a administração utiliza temos como os objetivos e estratégias, remetendo-se às estratégias de guerra! Considerada como empreendimento que sempre buscou a eficiência...Mas talvez o elemento genealógico mais complicador em termos de alienação do trabalho – em geral e escolar – tenha sido a preconização por Taylor da necessidade de separar a tarefa de planejamento da execução, ou seja, organizar cientificamente o trabalho implicava a distinção radical entre concepção e realização.
Desta forma, esta nova ciência acaba por respaldar e justificar a prática tão antiga de uns conceberem (homens livres) e outro executarem (escravos), fundamentando o planejamento tecnocrático, onde o poder de decisão e controle está nas mãos de técnicos, especialistas e não no próprio agente transformador. No início do séc.XX, o planejamento vai avançando para todos os setores da sociedade, provocando enorme impacto a partir do seu uso na União Soviética não como simples organização interna a uma empresa, mas como planificação de toda uma economia.
>Linhas de planejamento administrativo na atualidade: Gerenciamento da qualidade total; Planejamento estratégico e Planejamento participativo.
Ao analisar a história da educação escolar, percebemos diferentes concepções do processo de planejamento, de acordo com cada contexto sócio-político-econômico-cultura. A profª.Margot Ott (1984) aponta três grandes concepções que vão se manifestando em diferentes momentos da história do planejamento: Planejamento como Princípio prático – concepção associada à tendência tradicional; Instrumental/Normativo – tendência tecnicista de educação; e, finalmente, Planejamento Participativo – fundamentos marcantes nesta concepção: consciência, intencionalidade e participação (Ott, 1984). O saber deixa de ser considerado como propriedade dos especialistas, valorizando-se a construção, o diálogo, o poder coletivo local, a formação da consciência crítica a partir da reflexão sobre a prática de mudança. Planejamento, instrumento de intervenção no real para transformá-lo na direção de uma sociedade mais justa e igualitária.
>Núcleo do problema do planejamento. Elementos que comprometem o sentido e a força do planejamento: Idealismo = tendência de valorizar as idéias em detrimento da prática; Formalismo = atividade desprovida de sentido para o sujeito, cumprimento de prazos não discutidos, preenchimento de formulários impostos, adequação a um saber já pronto (técnico); Não-Participação = planejamento tido como dispositivo de disciplinamento de professores e alunos, meio de dominação ao invés de liberação. Tal prática de planejamento introduz uma cisão na totalidade humana, tendo em vista que as pessoas não participam dos resultados do próprio trabalho.
Apreciação Crítica
Ao final deste trabalho, percebo que falta a muitos professores em exercício nas escolas, o conhecimento que o conscientize da importância do planejamento. Bem como esse profissional precisa fazer reflexões sobre a atualidade, compreender o momento em que estamos vivendo, para que ele fomente mudanças na sala de aula que realmente repercuta na formação cidadã do aluno. Concordo com o autor quando ele infere a reflexão como mediação no processo de transformação (...) ela pode agir através do sujeito. Os fragmentos sobre o Planejamento em questão apresentado por Celso Vasconcellos, contribuiu de forma significativa para reflexão do meu trabalho enquanto coordenadora pedagógica. A intencionalidade das ações deve estar presente na prática educativa tanto do professor quanto do especialista para que haja interação de forma a que possam ter uma ação pautada numa nova concepção.
O que é importante, do ponto de vista do ensino, é deixar claro que o professor necessita planejar, refletir sobre sua ação antes, durante e depois de sua prática docente, saber de onde partir, onde quer chegar, que sujeito formar e em que sociedade atuar. (Danilo Gandim).1985
Valdelina Garcia Dias, graduada no curso de Pedagogia pela UFMS, pós graduada em Psicopedagogia e Didática do Ensino Superior, desempenhando a função de especialista de educação, atuando como Coordenadora Pedagógica, junto aos alunos e professores de ensino médio da Escola Estadual Afonso Pena, município de Três Lagoas - MS
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Bibliografia.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos, 1956 -
Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico – elementos metodológicos para elaboração e realização, 12ª. Ed. Celso dos Santos
Vasconcellos. - São Paulo: Libertad Editora, 2004. ( Cadernos Pedagógicos do Libertad; v.1)
GANDIM, Danilo
Planejamento como prática educativa. São Paulo: Editora Loyola, 1985
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
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